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Mulheres com deficiência conversam sobre autonomia em manhã de diálogo do Março Lilás na Prefeitura
28/03/2025
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Créditos: Fernanda da Cruz/PMRG

Na manhã desta sexta-feira (28) o Salão Nobre da Prefeitura de Rio Grande serviu de espaço para uma importante roda de conversa intitulada "Mulheres com deficiência na luta por empoderamento e autonomia", evento que integra a programação do Março Lilás. A atividade, proposta pela Coordenadoria Municipal de Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades, reuniu mulheres com deficiência que compartilharam suas trajetórias de vida e experiências, destacando a importância da inclusão e do empoderamento feminino.
Entre as convidadas estavam Ana Paula Moreira, mulher surda e vereadora do Município de Bagé, que trouxe à tona as dificuldades enfrentadas na busca por representatividade e inclusão nas políticas públicas, explicando que este foi um dos motivos que a levou a entrar na vida pública. Ela narrou todo o seu percurso de vida, desde a educação infantil, passagem pelo ensino fundamental, médio e a chegada à universidade, e a sua busca - com o auxílio da mãe - pela garantia de direitos básicos, como o direito a intérprete de libras em sala de aula.
Ela contou que mesmo havendo leis, foi um direito que lhe foi negado já na infância, precisando inclusive judicializar a questão. “Além das leis não estarem sendo cumpridas por parte dos poderes públicos, há muitas famílias que desconhecem os direitos que tem. E é preciso fazer chegar esse conhecimento, é esse papel que tenho desempenhado também”, contou a parlamentar de Bagé.
Luta contra o capacitismo e por ampliação das práticas inclusivas
Luize Dorneles, mulher cega e professora da Rede Municipal de Ensino, destacou a importância da acessibilidade no ambiente escolar e como isso impacta diretamente na educação inclusiva. Ela compartilhou como tem sido a sua vivência como docente na Rede Municipal, e as manifestações capacitistas que costuma ouvir da sociedade em geral em relação à sua profissão. O capacitismo é a discriminação contra pessoas com deficiência, baseada na ideia errada de que elas são inferiores ou incapazes.
“Mas não é só na profissão de professora, é o tempo todo. Por exemplo, quando anuncio que sou casada, imediatamente surgem perguntas como ‘quem fica com seus filhos?’, ‘quem cozinha na sua casa?’. E eu nem tenho filhos!”, conta Luize, acrescentando que há poucas tarefas que ela não pode desenvolver sozinha com as crianças na sala de aula, e que é “uma luta diária para provar o tempo todo que é capaz”, completa.
Já Deise Falcão, mulher com transtorno do espectro autista e vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades (COMDES) compartilhou sua luta por direitos e visibilidade para ela e para filha, que também tem autismo, assim como em prol da comunidade com deficiência que vive em Rio Grande. Ela enfatizou a necessidade de um olhar mais atento das escolas às questões enfrentadas por pessoas com deficiência. “A inclusão nas escolas tem que ir além da presença de monitores em sala de aula, é muito mais que isso!”, afima Deise.
Por sua vez, Marina Marandini, mulher com síndrome de Down, artista plástica e participante da Expedição 21, inspirou a todos os presentes ao falar sobre sua trajetória artística e sua busca por espaço no mercado cultural, além da experiência de ter participado da Expedição 21, um projeto voltado para pessoas com síndrome de Down que simula a experiência de morar sozinho e as questões do dia a dia da vida adulta.
O evento foi marcado por relatos emocionantes e reflexões sobre os desafios enfrentados por essas mulheres com deficiência em busca de autonomia, aos quais se somaram, também, relatos de mães e pais de crianças com deficiência que estavam entre o público presente.
Como por exemplo o de Ana Paula, que é mãe de um menino com altas habilidades e de uma menina surda. Ela destacou que sua filha está sendo incluída em um berçário, onde luta pelo direito de ter um intérprete. Apesar do acolhimento que recebeu da escola bilíngue, a mãe enfatiza a falta de acessibilidade e recursos adequados nas instituições de ensino. Ela também mencionou que o filho de 11 anos encontrou na Escola de Belas Artes um espaço onde pôde se desenvolver, apesar das dificuldades encontradas em escolas públicas, e que diuturnamente tem se empenhado em buscar informações e leis que possam garantir que os seus filhos tenham uma educação verdadeiramente inclusiva e acessível, motivo que a trouxe para roda de conversa na Prefeitura.
Além das palestrantes convidadas, a atividade contou com a presença da prefeita Darlene Pereira que reafirmou o compromisso da administração municipal com a pauta da inclusão, e representações de instituições relacionadas ao tema, secretarias municipais, além dos mandatos dos vereadores Rovam Castro, Karina Rocha e Professora Denise.
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